segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Partida sem volta.

Aconteceu em uma tarde de inverno, particularmente, foi a mais bonita que já pudera ver. Não esperava nada, aliás foi logo quando eu deixei de esperar. Sentei, levantei, depois tornei a sentar. Me curvei como quem revaza pedindo quase a implorar só para o tempo passar. E então o telefone tocou. Atendi.
- Sou eu. - uma voz triste me sussurrou.

Pensei em desligar e jamais tornar a atende-la, pensei em fingir não saber quem era, em ficar calada e ouvir o som da sua respiração. Pensei em tudo, mas não fiz nada do que pensei.

- Eu sei. - disse como quem não se importava.

- Eu sinto sua falta. - me falou como quem tinha dificuldade.

Isso eu não poderia responder. Desliguei. Pensei em retornar, mas não o fiz.

Sem demora, fui ao seu encontro. E quando me arrependi, já estava lá. Não aconteceu nada do que havia planejado. Não corri para teus braços, não a beijei. Eu sequer a toquei. Tentei ser extremamente fria e direta.

- Não tente olhar em meus olhos, e escute-me bem. Não torne a me ligar, nem a mandar mensagens. Não me faça ter que relembrar tudo. - disse olhando para o chão.

Ela me olhava como quem aprecia algo ou alguém. E mais uma vez sussurrou:

- Eu sinto sua falta.

Ela não poderia ter me deixado saber. Tive vontade de ficar, mas voltei a ter medo. Não poderia me permitir voltar a acreditar. Sim, eu queria que ela voltasse, e como. Mas permitir sua volta, seria me permitir voltar a sofrer.

- Você foi embora quando eu precisei de você. - libertei o que estava preso.

Segurei todas as lágrimas prestes a cair, e partir.

- Não me faça viver sem você. - foi a última coisa que ela pode dizer, mesmo já distante.

Pensei em voltar (quem é que não pensaria), mas me obriguei a continuar. Não olhei para trás, porque sabia que seria um jeito de ficar. E mesmo me doendo inteira, parti sem pretender voltar.


Emelly Dias Aloy

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